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Empresas driblam o real valorizado com inovação

 

Boa parte da indústria brasileira tem escapado da armadilha do real valorizado e elevado suas exportações. As maiores perdas com o câmbio atingem os setores intensivos em mão-de-obra. Em seis anos, a exportação de manufaturados propriamente ditos (excluídos açúcar, suco de laranja, café solúvel etc.) deu um salto de 115%, ante 86% do comércio mundial, apontam Ricardo Markwald e Fernando Ribeiro, da Funcex, que não crêem que o Brasil esteja condenado a se especializar em commodities.

As opiniões se dividem entre economistas, empresários e membros do governo, como mostram as reportagens do caderno especial "Rumos da Economia", que o Valor publica hoje, quando completa sete anos de existência. Há consensos, porém - a necessidade de aposta na inovação, com aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, é um deles. O Brasil não vai ganhar o jogo da competição com a China produzindo em larga escala bens de menor valor. Hoje, só uma elite de indústrias - 1,7% do total - investe mais de 3% do faturamento anual em inovação e elas não reclamam do câmbio, diz Glauco Arbix, ex-presidente do Ipea. Essa elite responde por um quarto das vendas industriais, enquanto 77% das empresas ficam com 11,5%. Mesmo com fim da valorização do real, esse batalhão não seria competitivo.

Livre da vulnerabilidade externa e da inflação, o Brasil enfrenta agora o desafio de aumentar investimentos e acelerar o crescimento. Para crescer acima de 5%, a taxa de investimento precisaria aumentar dos atuais 16,3% para 21%. O diretor de pesquisa do Bradesco, Octavio de Barros, prevê que ela avance 10% neste ano, depois de alta de 8,75% em 2006. "O novo ciclo de investimentos já começou", diz.

Crescer 5% ao ano exige o cumprimento de uma agenda extensa, na qual a estabilidade macroeconômica deixa de ser o eixo. Aumento da oferta de energia, responsabilidade ambiental, melhoria da educação e redução da desigualdade estão no centro do debate.

Fonte: Valor Online

http://www.valoronline.com.br/valoreconomico/285/primeirocaderno/Empresas+driblam+o+real+valorizado+com+inovacao,0725,,62,4289145.html