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11 de Abril de 2012

O desafio da próxima década

 

O Brasil já é a sexta maior economia do planeta. Por mais que isto nos encha de justificado orgulho, não podemos imaginar, no entanto, que já percorremos todo o caminho que nos levará ao patamar de nação plenamente desenvolvida.
Muito embora sejamos já um colosso econômico e ocupemos posições invejáveis em diversos setores, continuamos padecendo de algumas importantes deficiências.  
Conspirando contra as nossas aspirações de primeiro mundo, estão a baixa qualificação da nossa mão-de-obra, índices de desenvolvimento humano medíocres, infra-estrutura não compatível   com um projeto de potência econômica, ausência de um processo eficaz de planejamento nacional, desperdício e baixa produtividade.
Porém, antes de considerar esses problemas como sinais de um caso perdido, devemos encara-los como um saudável desafio e um estímulo a continuar a grande revolução que estamos operando em nosso país. Não nos esqueçamos, por exemplo, de que, em apenas três décadas, passamos de crônicos importadores de alimentos à posição de segundo maior exportador de produtos agro-pecuários do planeta.
Isto foi conseguido através de uma vitoriosa parceria entre  governo e iniciativa privada, um excepcional projeto que envolveu pesquisa científica, inovação, sofisticada tecnologia e gerenciamento de alto padrão.
Do começo da década de 1980 até hoje, centenas de milhares de empresas de todos os portes, entidades públicas e até organizações do terceiro setor têm adotado, com retumbante sucesso, as práticas que compõem aquilo que geralmente se conhece como Gestão de Excelência
Uma nação que faz sua opção indeclinável pela Gestão de Excelência não apenas toma o caminho seguro para o desenvolvimento mas, acima de tudo, capacita-se para se tornar internacionalmente competitiva.
Mas é crucial entender que os padrões de competitividade nesta altura do século XXI são mais complexos e abrangentes do que aquilo que conhecíamos até recentemente. Os critérios essenciais de competitividade incluem hoje, além de todos os tradicionais pré-requisitos, uma grande capacidade para inovar e para se desenvolver de maneira sustentável.
Já vão longe os tempos quando o estabelecimento de uma grande e diversificada base industrial era mais do que meio caminho para a plena competitividade. Na atualidade, qualquer potencia industrial forjada segundo os antigos conceitos terá os seus dias contados se continuar a produzir sem inovar e se, para produzir, agredir o meio ambiente, ignorar as prioridades do mundo que a cerca e violar os direitos humanos fundamentais.
Talvez se possa dizer, com segurança, que significativa parcela da população brasileira entende ou começa a perceber a importância de uma gestão segundo padrões de excelência. Mas é certo que o nosso país, de maneira geral, ainda não absorveu como seria desejável, estes novos conceitos de competitividade.
O essencial é entendermos que só nos desenvolveremos no grau e na velocidade que desejamos se conferirmos absoluta prioridade à formação e à capacitação da nossa mão de obra. Em matéria de competitividade, tudo começa com um projeto que, infelizmente, ainda não colocamos em marcha, para garantir o acesso irrestrito de toda a sociedade brasileira a uma educação de alta qualidade em todos os níveis.
Se cumprirmos, com competência, esta etapa basilar, e não abandonarmos o que já aprendemos em matéria de gestão, ninguém duvide, seremos uma nação não apenas em alto grau de desenvolvimento, igualitária, com alto padrão de vida, mas seremos vistos, respeitados e invejados pelo mundo como um exemplo de alta produtividade, inovação e sustentabilidade social e econômica. Talentos criados aqui, na quantidade e na qualidade que se impõe, terão dentro das nossas fronteiras as condições ideais para aplicação e desenvolvimento do seu conhecimento e talentos estrangeiros se sentirão atraídos pelo diversificado e sofisticado ambiente cultural, técnico e científico do Brasil.
É um sonho possível e ainda há tempo para torna-lo realidade.
Carlos Salles - Presidente da Tormes ConsultoriaEmpresarial e Membro do Conselho Superior do MBC
Publicado no Relatório Anual 2011 do MBC – Edição Especial de 10 Anos